sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Avaliação da Ministra (Muito GIRO e Objectivo)


Senhora Ministra, sou um defensor de que todas as profissões e cargos
devem ser avaliados. Quem acabou com a avaliação dos professores foi o
seu governo, quando eliminou cerca de dois anos de tempo de serviço a
todos os professores e deixou de exigir relatórios críticos de
actividade, que deveriam incluir os seguintes itens:

1- Índice

2- Identificação do Docente

3- Introdução

4- Actividades Desenvolvidas

4.1- Serviço Distribuído

4.2- Desempenho e Cargos Directivos e Pedagógicos

4.3- Relação Pedagógica com os Alunos

4.4- Manuais Escolares e Obras de Leitura Integral

4.5- Participação em Projectos e Actividades Desenvolvidas no Âmbito
da Comunidade Educativa

4.6- Cumprimento de Programas Curriculares

4.7- Acções de Formação Frequentadas

4.8- Cooperação com os Professores das Turmas e do Grupo Disciplinar

4.9- Assiduidade

5- Conclusão

Esses relatórios eram avaliados por uma comissão de avaliação e tinham
de ser entregues até dois meses antes da mudança de escalão.
Tenho conhecimento de vários colegas que, na altura, não progrediram por os seus relatórios não terem sido aprovados.
A minha progressão na carreira desde o 6º até ao 10º escalões, resultou da aplicação deste modelo de avaliação.

Dizer que nos últimos trinta anos não tinha havido avaliação é uma
mentira grave que a devia envergonhar. Podia dizer que não concordava
com esse modelo, estaria no seu direito, como eu tenho direito de não
concordar com o seu modelo. Não tem o direito é de mentir
descaradamente aos portugueses.



Desde já defendo um modelo simplificado de avaliação dos professores
semelhante ao que foi imposto no ano anterior aos contratados,
resultante do memorando de entendimento. Se todos já perceberam que é
o que acontecerá no futuro, por que motivo não chega a acordo
rapidamente e termina com a guerrilha que se instalou nas escolas,
tentando impor um modelo que todos reconhecem injusto, burocrático,
asfixiante e alicerçado em compadrios? A teimosia não leva a lado
nenhum.

A vergonha não está em dialogar, mas numa ministra da educação não
conseguir entrar em nenhuma escola pública e achar que tem condições
para continuar.

Agora sugiro que a senhora ministra reflicta e faça uma auto-avaliação
com base nos critérios impostos por si aos professores:

a) Relação com a comunidade educativa:

Critérios de insucesso:

1º 120 000 professores a protestar;

2º Os alunos não permitem que entre numa escola pública e fecham escolas;

3º O Auxiliares da Acção Educativa fazem greves;

4º Os representantes dos Encarregados de Educação nos Conselhos
Pedagógicos e Gerais votam favoravelmente moções que apelam à
suspensão ou à simplificação do processo de avaliação;

5º O SIGE (sindicato dos Inspectores Gerais do Ensino) dá conhecimento público da incapacidade de este organismo proceder à avaliação dos docentes titulares, conforme o modelo que impõe, por falta de efectivos;

Classificação da Senhora Ministra :
Insuficiente

b) Redução do Abandono Escolar:

Critérios de insucesso:

1º Centenas de professores estão a pedir a reforma antecipada com
grandes penalizações;

2º Todos os dias há alunos a emigrar com os pais para outros países,
porque não conseguem sobreviver em Portugal.

Classificação:
Insuficiente

c) Melhoria dos resultados dos alunos;

Critério de insucesso:

1º Se aplicar exames com o mesmo grau de dificuldade que os de há
cinco anos atrás, verificará que os resultados serão muito piores,
porque cada vez os alunos sabem menos, uma vez que não têm tempo para
fazerem os trabalhos de casa com a excessiva carga horária de 14
disciplinas (no 7º ano).

2º Experimentei dar os mesmos testes que dava há 10 anos atrás e tive
mais de 80% de insucesso, quando nessa altura tinha cerca de 10%.

Classificação: Insuficiente.

d) Formação Contínua:

Não se conhece nenhuma formação que tenha feito no último ano, por
isso é insuficiente.

Como se apercebeu, a sua avaliação é insuficiente, mas como se mostra
cega e surda aos sinais que a rodeiam, foi-lhe aplicado um Plano
Educativo Individual e continua no cargo a prejudicar a escola
pública.

Outra mentira que tem tentado passar é a de que os alunos não têm
motivos para protestar, porque, segundo a senhora ministra e os
secretários de estado, de acordo com o novo Estatuto do Aluno, os
alunos que faltam justificadamente por doença não têm medidas
correctivas ou Prova de Recuperação. A única forma de não estar a
mentir é não ter lido o artigo 22.º que passo a citar para que não
volte a mentir:



Efeitos das faltas

1 -- Verificada a existência de faltas dos alunos, a

escola pode promover a aplicação da medida ou medidas

correctivas previstas no artigo 26.º que se mostrem

adequadas, considerando igualmente o que estiver contemplado

no regulamento interno.

2 -- Sempre que um aluno,
independentemente da

natureza das faltas
, atinja um número total de faltas

correspondente a três semanas no 1.º ciclo do ensino

básico, ou ao triplo de tempos lectivos semanais, por

disciplina, nos 2.º e 3.º ciclos no ensino básico, no ensino

secundário e no ensino recorrente, ou, tratando -se,

exclusivamente, de faltas injustificadas, duas semanas

no 1.º ciclo do ensino básico ou o dobro de tempos

lectivos semanais, por disciplina, nos restantes ciclos

e níveis de ensino, deve realizar, logo que avaliados os

efeitos da aplicação das medidas correctivas referidas

no número anterior, uma prova de recuperação, na disciplina

ou disciplinas em que ultrapassou aquele limite,

competindo ao conselho pedagógico fixar os termos

dessa realização.

Eu sublinhei as partes que a senhora Ministra ainda não tinha
entendido para lhe facilitar a compreensão.

Mas se ainda não está convencida. Experimente chegar ao Conselho de
Ministros e dizer:

- "Meus amigos, a partir de agora somos nós que nos vamos avaliar a
nós próprios. Os ministros que nasceram antes de 1948 avaliam os
restantes. Não importa se sabem mais ou menos. Vão avaliar o nosso
trabalho, não só no conselho de ministros, mas também na comunicação
social. Se trabalharmos muito e dermos nas vistas podemos ser
classificados de "Muito Bom" ou de "Excelente". No entanto, se houver
mais do que um Excelente ou dois Muito Bons, essas classificações não
poderão ser atribuídas, porque só poderia haver um Excelente e dois
Muito Bons. Para finalizar tenho a dizer-vos que temos de aceitar
tudo o que digo e não aceito qualquer tipo de reclamações."

Depois ouça o que eles têm para dizer.

Espero ansiosamente que a Escola volte à normalidade, pois esta
situação é insustentável!



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