domingo, 25 de janeiro de 2009

José Sócrates admite conversa com tio a propósito do Freeport


"Não registei na memória tal conversa, todavia admito que ela tenha acontecido"
José Sócrates admite poder ter mantido uma conversa com o seu tio a propósito do projecto Freeport de Alcochete, mas diz que não tem memória de tal reunião. Durante a conferência de imprensa marcada est

a tarde para esclarecer pormenores do seu envolvimento no caso, o primeiro-ministro português considera que o ressurgimento da polémica tem como objectivo denegrir a sua imagem, pelo que irá lutar para defender a sua honra e honestidade mostrando-se disponível para ser ouvido pelas autoridades judiciais.
Numa conferência de imprensa marcada para a Alfândega do Porto, o primeiro-ministro rejeitou os factos apontados numa notícia da edição desta semana do Sol segundo a qual será ele o ministro de António Guterres "implicado no pagamento de luvas em troca do licenciamento do Freeport".

O semanário apresenta igualmente uma entrevista com o tio do primeiro-ministro durante a qual Júlio Monteiro, empresário, revela ter falado com o sobrinho, o então ministro do Ambiente José Sócrates, a propósito do projecto Alcochete, fazendo assim a ponte entre Sócrates e Charles Smith, sócio da consultora que procurava o licenciamento do Freeport.

"Não tenho memória, admito que isso possa ter acontecido, que o meu tio Júlio Monteiro tenha falado no caso do empreendimento Freeport e me tenha pedido para receber os promotores", respondeu José Sócrates aos jornalistas.

"Não registei na memória tal conversa, todavia admito que ela tenha acontecido", disse José Sócrates, para sublinhar que os factos remontam há muitos anos.

Por outro lado, o agora primeiro-ministro pretende "deixar absolutamente claro que a reunião (com os promotores do empreendimento Freeport) aconteceu a pedido da Câmara de Alcochete, dado que a câmara considerava esse empreendimento um empreendimento importante para o seu concelho", uma reunião alargada no Ministério do Ambiente que, de acordo com José Sócrates, envolveu outras pessoas, entre as quais o secretário de Estado do Ambiente, responsáveis de diversos ministérios e a Câmara de Alcochete.

De acordo com o esclarecimento hoje prestado por José Sócrates, "o objecto da reunião foi apenas a apresentação das exigências ambientais que tinham levado ao chumbo do projecto", tendo sido discutidas "as posições do Ministério do Ambiente", sendo "transmitidas aos promotores as razões as razões que levaram o Ministério do Ambiente a chumbar o projecto anteriormente e as exigências ambientais para que o ministério viabilizasse o projecto".

O primeiro-ministro reagiu assim à notícia do semanário Sol, segundo a qual seria ele o ministro de António Guterres "implicado no pagamento de luvas em troca do licenciamento do Freeport".

Sócrates sublinhou que, após esta reunião no Ministério do ambiente, não voltou a participar em qualquer outro encontro com "promotores do projecto Freeport ou seus representantes", reiterando a defesa apresentada ontem em comunicado e no qual garante não conhecer pessoalmente nenhum responsável do projecto.

O semanário Sol transcreve este sábado um DVD incluído numa investigação fiscal que está a decorrer em Inglaterra relativamente ao Freeport e no qual o administrador da empresa que gravou a conversa terá pedido contas sobre avultadas somas transferidas em pequenas tranches para Portugal, ao que o intermediário do negócio Charles Smith responde que o dinheiro se referia a "um longo historial de pagamentos corruptos", particularmente para satisfazer um acordo estabelecido numa reunião em que estaria o então ministro do Ambiente José Sócrates.

Sócrates promete luta pela honra

Durante a conferência de imprensa desta tarde, José Sócrates garantiu que irá lutar para esclarecer o seu posicionamento neste caso, para o que se colocou de imediato à disposição das autoridades judiciais.

"Quero dizer que aqueles que pensam que me vencem desta forma estão enganados. Vou lutar para defender a minha honra e a minha honestidade. Já passei por provas duras no passado e vou fazer aquilo que me compete: defender-me e esclarecer todos os portugueses", declarou o primeiro-ministro, para quem "a divulgação destas notícias e a forma como são apresentadas destinam-se a atingir-me pessoalmente, a fragilizar-me politicamente, e a afectar a minha honra e a minha integridade".

Sócrates fez no entanto questão de lembrar o comunicado da Procuradoria Geral da República no qual se garante que não há nenhum membro do actual ou do anterior governos sob suspeita.

PGR pede serenidade enquanto se aguardam resultados

Fonte da Procuradoria-geral da República disse já hoje que as investigações relacionadas com o licenciamento do Freeport estão a decorrer, pelo que resta "aguardar serenamente" pelos resultados.

"Quando for oportuno, o procurador-geral da República (Pinto Monteiro) pronunciar-se-á", adiantou aquela fonte.

Sobre o processo relativo ao espaço comercial de Alcochete recaem suspeitas de corrupção na alteração à Zona de Protecção Especial do Estuário do Tejo (ZPET), alteração operada por decreto-lei três dias antes das legislativas de 2002.

Em Fevereiro de 2005 o caso chegou às páginas dos jornais, com o extinto semanário Independente a divulgar, poucos dias antes das eleições legislativas desse ano, um documento da Polícia Judiciária que mencionava José Sócrates, então o líder da Oposição, como um dos suspeitos por alegadamente ter sido um dos subscritores do decreto-lei na qualidade de ministro do Ambiente.

A PJ e a PGR negaram depois qualquer envolvimento de Sócrates, então candidato a primeiro-ministro, no caso Freeport

Paulo Alexandre Amaral, RTP
2009-01-24 15:25:53
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Comentário
A amnésia é comum nos políticos.

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