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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

A caixa que adormeceu o Mundo - por Daniel Oliveira

A caixa que adormeceu o Mundo

Num programa da TVI, os concorrentes agitam contas por pagar. Em troca de umas figuras tristes, pagam-lhes as dívidas. A televisão consegue entreter os desgraçados com as suas próprias desgraças.


Daniel Oliveira

Chama-se "Agora é que conta", passa na TVI" e é apresentado por Fátima Lopes. O programa começa com dezenas de pessoas a agitar uns papéis. Os papéis são contas por pagar. Reparações em casa, prestações do carro, contas da electricidade ou de telefone. A maioria dos concorrentes parece ter, por o que diz, muito pouca folga financeira. E a simpática Fátima, sempre pronta a ajudar em troca de umas figuras mais ou menos patéticas para o País poder acompanhar, presta-se a pagar duzentos ou trezentos euros de dívida. "Nos tempos que correm", como diz a apresentadora - e "os tempos que correm" quer sempre dizer crise - , a coisa sabe bem. No entretenimento televisivo, o grotesco é quase sempre transvestido de boas intenções.

Os concorrentes prestam-se a dar comida à boca a familiares enquanto a cadeira onde estão sentados agita, rebolam no chão dentro de espumas enormes ou tentam apanhar bolas de ping-pong no ar. Apesar da indigência absoluta do programa, nada disto é novo. O que é realmente novo são as contas por pagar transformadas num concurso "divertido".

Ao ver aquela triste imagem e a forma como as televisões conseguem transformar a tristeza em entretenimento, não consigo deixar de sentir que esta é a "beleza" do Capitalismo: tudo se vende, até as pequenas desgraças quotidianas de quem não consegue comprar o que se vende.

Houve um tempo em que gente corajosa se juntava para lutar por uma vida melhor e combater quem os queria na miséria. E ainda há muitos que não desistiram. Mas a televisão conseguiu de uma forma extraordinariamente eficaz o que o séculos de repressão nem sonharam: pôr a maioria a entreter-se com a sua própria desgraça. E o canal ainda ganha uns cobres com isso. Diz-se que esta caixa mudou o Mundo. Sim: consegue pôr tudo a render. Até as consequências da maior crise em muitas décadas.

Entretanto a apresentadora recebe 40.000€ por mês. Foi este o valor da transferência da SIC para a TVI. Uma proposta irrecusável segundo palavras da própria.

domingo, 24 de outubro de 2010

RTP - Televisão tuga, de luxo

Porque o canal 1 é tão suave com os políticos do governo e os que podem vir a ser governo?

SALÁRIOS COMO ESTES É QUE O GOVERNO DEVE CORTAR TANTO NO SUBSÍDIO DE FÉRIAS E DE NATAL, COMO BAIXÁ-LOS EM 50% E NÃO APENAS EM 5% !!!

RAPIDAMENTE O PAÍS SAIRIA DA RECESSÃO E AÍ SIM, SERIA O "CAMPEÃO DO CRESCIMENTO" COMO AFIRMOU SÓCRATES HÁ UNS TEMPOS ATRÁS NUM JORNAL DIÁRIO.
E ainda se pensa que os Professores e os F.Públicos é que ganham bem...
Tratando-se a RTP de uma empresa pública, sustentada pelos nossos impostos, interessante era comparar tais salários com os praticados na SIC e TVI, empresas privadas.
Judite de Sousa (14.720 €), José Alberto de Carvalho (15.999 €) e José Rodrigues dos Santos (14.644 €), o dobro do que recebe o primeiro-ministro José Sócrates e muito mais que o Presidente da República.
José Alberto Carvalho tem como vencimento ilíquido e sem contar com as ajudas de custos a quantia de 15.999 €/mês, como director de informação.

A directora-adjunta. Judite de Sousa, 14.720 €.

José Rodrigues dos Santos recebe como pivôt 14.644 €/mês.
O director-adjunto do Porto, Carlos Daniel aufere 10.188 € brutos, remunerações estas que não contemplam ajudas de custos, viaturas Audi de serviço e mais o cartão de combustíveis Frota Galp.
De salientar que o Presidente da República recebe mensalmente o salário ilíquido de 10.381 € e o primeiro-ministro José Sócrates recebe 7.786 €
Outros escândalos:
Director de Programas, José Fragoso: 12.836 euros
Directora de Produção, Maria José Nunes: 10.594 €
Pivôt João Adelino Faria: 9.736 €
Director Financeiro, Teixeira de Bastos: 8.500€
Director de Compras, Pedro Reis: 5.200€
Director do Gabinete Institucional (?), Afonso Rato: 4.000€
Paulo Dentinho, jornalista: 5.330€
Rosa Veloso, jornalista: 3.984€
Ana Gaivotas, relações públicas: 3.984€
Maria João Gama, RTP Memória: 2.350€
Ana Fischer, ex-directora do pessoal: 5.800€
Helder Conduto, jornalista: 4.000€
Ana Ribeiro, jornalista: 2.950€
Marisa Garrido, directora de pessoal: 7.300€
Jacinto Godinho, jornalista: 4.100€
Jaime Fernandes, assessor da direcção: 6.162€
João Tomé de Carvalho, pivôt: 3.550€
António Simas, director de meios: 6.200€
Alexandre Simas, jornalista nos Açores: 4.800€
Margarida Metelo, jornalista: 3.200 €



CRISE, QUAL CRISE?

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Público - última hora


PÚBLICO - Caso TVI
Opinião: O PS de Sócrates é contra a liberdade

04.09.2009 - 15h15 Eduardo Cintra Torres

A decisão de censurar o Jornal Nacional de 6ª (JN6ª) foi tudo menos estúpida. O núcleo político do PS-governo mediu friamente as vantagens e os custos de tomar esta medida protofascista. E terá concluído que era pior para o PS-governo a manutenção do JN6ª do que o ónus de o ter mandado censurar. Trata-se de mais um gravíssimo atentado do PS de Sócrates contra a liberdade de informar e opinar. Talvez o mais grave. O PS já ultrapassou de longe a acção de Santana Lopes, Luís Delgado e Gomes da Silva quando afastaram a direcção do DN e Marcelo da TVI.

A linguagem de Santos Silva e do próprio Sócrates na quinta-feira sobre o assunto não engana: pelo meio da lágrimas de crocodilo, nem um nem outro fizeram qualquer menção à liberdade de imprensa. Falaram apenas dos interesses do PS e do governo. Sócrates, por uma vez, até disse uma verdade: o PS não intervinha no JN6ª. Pois não, foi por isso que varreu o noticiário do espaço público.

O PS-Governo de Sócrates não consegue coexistir com a liberdade dos outros. Criou uma central de propaganda brutal que coage os jornalistas. Intervém nas empresas de comunicação social. Legisla contra a liberdade. Fez da ERC um braço armado contra a liberdade (a condenação oficial do JN6ª pela ERC em Maio serviu de respaldo ao que aconteceu agora). Manda calar os críticos. Segundo notícias publicadas, pressiona e chantageia empresários, procura o controle político da justiça e é envolvido em escutas telefónicas. Cria blogues de assessores com acesso a arquivos suspeitos que existem apenas para destruir os críticos e os adversários políticos. Pressiona órgãos de informação. Coloca directa ou indirectamente "opiniões" e "notícias" nos órgãos de informação. Etc.

O relato da suspensão do JN6ª, no Jornal de Notícias e no Diário de Notícias e outros jornais de ontem é impressionante, sinistro e muito perigoso. Provir de supostos "socialistas", portugueses e espanhóis, em nada diminui a gravidade desta censura. Esta suposta "esquerda" dos interesses, negócios e não resolvidos casos de justiça é brutal.

Intervindo na TVI, o PS-Governo atingiu objectivos fundamentais. Como disse Mário Crespo (SICN, 03.09), o essencial resume-se a isto: J.E. Moniz e M. Moura Guedes foram eliminados — e com eles as direcções de Informação e Redacção e um comentador independente como V. Pulido Valente.


Este PS-Governo é muito perigoso para a liberdade. Até o seu fundador está preso nesta teia, por razões que têm sido referidas. Ao reduzir a censura anticonstitucional, ilegal e protofascista do JN6ª a um caso de gestão, Soares desceu ao seu mais baixo nível político. É vergonhoso que seja ele, o da luta pela liberdade, a dizer uma coisa destas. Será que em 1975 o República também foi calado só por "razões de empresa"?

O PS-governo segue o mesmo caminho de Chàvez, ao perseguir paulatinamente, um a um, os seus críticos: e segue o mesmo caminho de Putin, ao construir uma democracia meramente formal, em que se pode dizer que a decisão foi da Prisa não dele, em que se pode dizer que os empresários são livres, que os juízes são livres, que os funcionários públicos são livres, que os professores são livres, que os jornalistas são livres, que a ERC é livre, etc — mas o contrário está mais próximo da verdade. Para todos os efeitos, Portugal é uma democracia formal, mas estas medidas protofascistas vão fazendo o seu caminho. Não dizia Salazar que Portugal era mais livre que a livre Inglaterra? Sócrates e Santos Silva dizem o mesmo.


Eduardo Cintra Torres é crítico de televisão e escreve no PÚBLICO

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Na comunicação social o que parece é - artigo de opinião de Mário Crespo

Opinião

Na comunicação social o que parece é

00h30m

Não se pode dizer que de Espanha nem boa brisa nem boa Prisa, porque o clima para este monumental acto censório é da exclusiva responsabilidade de José Sócrates.

35 anos depois da ditadura, digam lá o que disserem, não volta a haver o Jornal de Sexta da TVI e os seus responsáveis foram afastados à força.

No fim da legislatura, em plena campanha eleitoral, conseguiram acabar com um bloco noticioso que divulgou peças fundamentais do processo Freeport.

Sem o jornalismo da TVI não se tinha sabido do DVD de Charles Smith, nem do papel de "O Gordo" que é (também) primo de José Sócrates e que a Judiciária fotografou a sair de um balcão do BES com uma mala, depois de uma avultada verba ter sido disponibilizada pelos homens de Londres.

Sem a pressão pública criada pela TVI o DVD não teria sido incluído na investigação da Procuradoria-geral da República porque Cândida Almeida, que coordena o processo, "não quer saber" do seu conteúdo e o Procurador-geral "está farto do Freeport até aos olhos".

Com tais responsáveis pela Acção Penal, só resta à sociedade confiar na denúncia pública garantida pela liberdade de expressão que está agora comprometida com o silenciamento da fonte que mais se distinguiu na divulgação de pormenores importantes.

É preciso ter a consciência de que, provavelmente, sem a TVI, não haveria conclusões do caso. Não as houve durante os anos em que simulacros de investigação e delongas judiciais de tacticismo jurídico-formal garantiram prolongada impunidade aos suspeitos.

A carta fora do baralho manipulador foi a TVI, que semanalmente imprimiu um ritmo noticioso seguido por quase toda a comunicação social em Portugal. Argumenta-se agora que o estilo do noticiário era incómodo. O que tem que se ter em conta é que os temas que tratou são críticos para o país e não há maneira suave de os relatar.

O regime que José Sócrates capturou com uma poderosa máquina de relações públicas tentou tudo para silenciar a incómoda fonte de perturbação que semanalmente denunciou a estranha agenda de despachos do seu Ministério do Ambiente, as singularidades do seu curriculum académico e as peculiaridades dos seus invulgares negócios imobiliários.

Fragilizado pelas denúncias, Sócrates levou o tema ao Congresso do seu partido desferindo um despropositado ataque público aos órgãos de comunicação que o investigam, causando, pelos termos e tom usados, forte embaraço a muitos dos seus camaradas.

Os impropérios de Sócrates lançados frente a convidados estrangeiros no Congresso internacionalizaram a imagem do desrespeito que o Chefe do Governo português tem pela liberdade de expressão.

O caso, pela sua mão, passou de nacional a Ibérico. Em pleno período eleitoral, a Ibérica Prisa, ignorante do significado que para este país independente tem a liberdade de expressão, decidiu eliminar o foco de desconforto e transtorno estratégico do candidato socialista.

É indiferente se agiu por conta própria ou se foi sensível às muitas mensagens de vociferado desagrado que Sócrates foi enviando. Não interessa nada que de Espanha não venha nem boa brisa nem boa Prisa porque a criação do clima para este monumental acto censório é da exclusiva responsabilidade do próprio Sócrates.

É indiferente se a censura o favorece ou prejudica. O importante é ter em mente que, quem actua assim, não pode estar à frente de um país livre. Para Angola, Chile ou Líbia está bem. Para Portugal não serve.


in
http://jn.sapo.pt/Opiniao/default.aspx?opiniao=M%E1rio+Crespo


domingo, 26 de abril de 2009

Sócrates disponível para ir ao programa de Goucha

"Em São Bento, Sócrates admitiu que poderá até ir à TVI, mas só se for para falar com Manuel Luís Goucha. O recado foi entregue ontem.
Afinal José Sócrates está disponível para ir à TVI, cujo telejornal das sexta-feiras, apresentado por Manuela Moura Guedes, acusou de "jornalismo travestido", uma verdadeira "caça ao homem" movida a "ódio". Só que só aceita se isso acontecer no programa de Manuel Luís Goucha, que diariamente anima as manhãs daquela estação.
A disponibilidade do primeiro-ministro ficou a ser conhecida ontem, nos jardins da sua residência oficial, abertos ao público entre as 15.00 e as 18.00, com animação dos artistas do "Chapitô" e de uma banda da GNR.
José Sócrates, como de costume, conviveu com os visitantes - que eram menos do que no ano passado - por cerca de uma hora, disponibilizando-se para dezenas de fotografias, nomeadamente com visitantes chineses.
A certa altura aproximou-se do primeiro-ministro uma senhora loura, de meia-idade, que entabulou conversa com Sócrates - uma conversa gravada pela TSF, que a emitiu numa reportagem ao fim da tarde. A senhora tinha uma mensagem de um amigo comum para Sócrates:
- Sabe quem lhe manda um abraço?
- …
- Manuel Luís Goucha. Gosta muito de si.
- E eu dele.
- Um abraço muito grande.
- Olhe, eu queria dizer-lhe uma coisa. Pode mandar-lhe um recado?
- Posso, posso…
(…)
- Ele gosta muito de si, queria uma entrevista consigo.
- [Imperceptível] Mas eu vou fazê-la, eu vou fazê-la. Diga-lhe que eu me recordo muito dele, com muita saudade, enfim (…) Eu tenho problemas lá com a estação mas tenho muita consideração por ele e vou pedir para falar com ele.
- E ele gosta muito de si e eu disse-lhe que ia tentar...
- E eu dele. A coisa é recíproca. Diga-lhe isso se faz favor, queria que ele soubesse.
E a conversa prosseguiria durante mais alguns momentos. Pouco depois o primeiro-ministro vestiria a farda de secretário-geral do PS, rumando à sede nacional do partido, onde respondeu, pela internet, a dez perguntas sobre actualidade política enviadas nos últimos dias.
"Que coisa estranha", foi a primeira reacção de Manuel Luís Goucha, contactado pelo DN, dando-lhe conhecimento do episódio anteriormente relatado. "É claro que gostaria de falar com o primeiro-ministro, enquanto cidadão. Na realidade, até já lhe pedi uma entrevista, para o programa Você na TV!. O convite foi feito logo após o lançamento da primeira biografia oficial do primeiro-ministro, José Sócrates - O Menino de Ouro do PS [a 30 de Junho de 2008]. Mas até agora não tive qualquer resposta", revelou ao DN.
Quanto à possibilidade de fazer a entrevista agora, numa altura em que as relações entre José Sócrates e a estação dirigida por José Eduardo Moniz passam por um momento de acesa troca de acusações, o apresentador confessa que "terei de ver se a TVI me deixa, mas é claro que gostaria de a fazer". Manuel Luís Goucha explicou ainda que não tem qualquer relação especial com José Sócrates. "Em 2004 integrei a comissão de honra da sua candidatura a primeiro-ministro. É só". "Sempre votei Cavaco Silva, mas em 2005, entre Pedro Santana Lopes e Sócrates, optei pela alternativa PS." Passados quatro anos, confessa-se desiludido com algumas opções do actual primeiro-ministro.
"
in Diário de Notícias

Moniz avança com queixa contra Sócrates

Moniz avança com queixa contra Sócrates
Director-geral da TVI desmente «caça ao homem» e critica «intimidação» do primeiro-ministro

O director-geral da TVI confirmou, esta quarta-feira, durante o Jornal Nacional, que já avançou para os tribunais com uma queixa contra José Sócrates.
Veja aqui o vídeo
«Já avancei para os tribunais com uma queixa contra José Sócrates, não impedindo outros jornalistas de o fazerem também», revelou.
José Eduardo Moniz utilizou as próprias
palavras do primeiro-ministro para desmentir as mesmas: «Não sou cobarde, nem me escondo atrás de uma moita ou de um arbusto para fazer uma caça ao homem, utilizando um jornal travestido.»
«José Sócrates transmitiu o seu enorme desconforto perante o jornalismo de investigação que os melhores jornalistas desta casa têm desenvolvido em relação ao caso Freeport. Ele teve oportunidade de esclarecer o país sobre o seu alegado envolvimento, mas não conseguiu, não pode, não soube ou não quis fazê-lo. Preferiu atacar a TVI. Ofendeu-me a mim em particular, o último responsável pela informação, quer na minha honra, quer na minha dignidade», afirmou.
O responsável do canal assegurou a sua «surpresa» e «alguma estupefacção», «não pela atitude crítica» em relação a um telejornal «do qual assumidamente não gosta», mas pelo «tom e termos impróprios para uma pessoa com as suas responsabilidades».
«A única vitima até agora parece ser a liberdade de informação», disse, acusando Sócrates de «processos de intimidação que querem condicionar o exercício do jornalismo» e acrescentando: «Tal não acontecerá enquanto aqui estiver. Continuaremos a trabalhar da mesma maneira, com independência e rigor.
Afirmando-se «seguro do profissionalismo e competência» dos jornalistas da TVI, Moniz reforçou: «A TVI só relatou factos, não os inventou. Não acusámos nem julgámos seja quem for (...) Até hoje ninguém desmentiu a nossa informação.»
«Não vou alimentar mais polémicas. É triste e irónico que a poucos dias do 25 de Abril se presenciem tantos ataques e ameaças ao jornalismo livre», concluiu.
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