Não tendo podido estar presente na reunião de 6 de Janeiro, da qual, supostamente, deveria ter resultado uma posição de força da nossa escola quanto ao modelo de avaliação de desempenho que o ME quer impor-nos, não podia ter-me sentido mais defraudada quando me informaram que, afinal, a esmagadora maioria dos colegas vai entregar os seus objectivos individuais, acobardando-se, desta forma, às ameaças vergonhosas do governo. Porque a desobediência à lei poderá levar a processos disciplinares e porque a greve, por tempo indeterminado, é uma forma de luta mais segura e eficaz ... dizem... Pasmei! Concordo com todas as formas de luta e farei greve o tempo que for necessário, mas quando estivemos nas manifestações de Março e Novembro e quando fizemos greve, em Dezembro, todos sabíamos quais os riscos em que incorríamos, nomeadamente a nível disciplinar. É espantoso como os receios da classe se alteraram em menos de um mês, é incrível o que a proximidade do momento de progredir ou não pode fazer à consciência, aos valores, à coerência e à dignidade de uma classe que devia ser exemplar, sempre, como foi quando a sua descida à rua fez abalar o despotismo cerrado e soprar ventos de mudança num país desgastado pelo pessimismo e pela subserviência.Foi tudo mentira, afinal. Afinal, não somos exemplo para ninguém. O que eu gostaria de saber é com que cara é que eu, que acreditava que estávamos unidos na luta por uma causa nobre, enfrento os outros e, sobretudo, a minha consciência, se ergo a bandeira, mas não ajo em conformidade? É que, como somos menos de vinte os que assinámos o compromisso de não entregar os OI, se calhar vamos mesmo ter que nos haver com os tais processos - mas o que me revolta e o que me enoja é que, se fôssemos todos agora, como fomos em Março e Novembro, a questão das sanções nem se punha (penso que 140 000 processos disciplinares parariam o país mais rapidamente do que o terramoto de 1755...). É feio abandonarmos os nossos pares. Eu, por mim, continuo a minha luta, ainda que sinta que fui abandonada na praia. Quanto aos outros, boas progressões, que eu fico com a minha consciência!
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